K: Não acredito: você colocar silicone? Absurdo! Você quer ser reduzida a um peito?
M: Não, a dois!
K: Se você colocar, eu perderei absolutamente o interesse e a atração por você.
M: Então é você quem está me reduzindo a um par de peitos…
A reação dele foi esta, nem me deu tempo de falar sobre o corpo e o prazer da profanação, nem me deu tempo de contar que eu passaria a usar camisetas brancas molhadas…
O corpo humano sempre foi cercado por interditos, a Medicina por muito tempo deixou de avançar por causa da proibição das autópsias e ainda hoje o vemos com diversos tabus, sejam as roupas, o nudismo, piercings, tatuagens, ainda mais em se tratando de sexualidade. Mesmo com a banalização contemporânea do corpo e do sexo, tememos o corpo, suas paixões inconfessáveis, os movimentos eróticos.
Ele gostava de seios grandes, daqueles da TV e revistas, mas não queria os meus o fossem. Talvez o tenha incomodado a conotação sexual do silicone, o apelo a uma técnica cujo objetivo é um resultado explicitamente estético/sensual, uma sensualidade aberrante, evidente (não apenas para ele). Pode ser que ele, pessoa cult, tenha se incomodado em me ver dar tanto valor à aparência a ponto de recorrer a uma técnica invasiva, a velha dualidade mente/corpo.
Talvez a violência do ato o assuste: o dilaceramento e transfiguração do corpo. Pode ter a ver com autenticidade ou a ele importe o objeto do desejo (eu) em sua totalidade intacta, pura, imaculada, a questão se limite ao papel da pureza e da beleza no erotismo e, acima disso, a posse do objeto…
Se por um lado a diferença entre instinto sexual e desejo erótico surge da passagem da sexualidade livre à contida, por outro o interdito convive em cumplicidade com sua transgressão. Ele não concordava.
Eu sei que o objeto deve corresponder à interioridade do desejo, que a escolha e a atração dependem de fatores complexos, que a beleza varia de acordo com a inclinação de quem a aprecia. Em suma: ele era o cara, eu queria dele atração e fascínio, não pude arriscar, desisti do silicone.
Claro que, ao definir com autoridade os limites para o meu corpo, ele começou um jogo de poder que fatalmente perderia. Inteligente que é, ganhou em outra arena, ele me fez lembrar do que estava em jogo e eu não pude (literalmente) pagar par a ver…
Em pleno 8 de março, dia em que escrevo este post, o faço consciente de que surgirão críticas feministas (veladas ou não) e aguardo por estas ansiosa. Minha única dúvida é se atacarão o fato de eu querer me amoldar desesperadamente a padrões estéticos de objeto de desejo masculino ou fato de eu não fazê-lo por submissão à vontade de um homem.
Faço minha defesa preliminar alegando que, se a autoras das críticas tiverem o prazer de conhecer (em sentido amplo) a pessoa de quem falo, não se importarão com esse tipo raciocínio sobre o poder fálico. No mais, danem-se os apelos feministas, eu não faço tanta questão assim de ser uma mulher de peito!
Março 9, 2009 at 9:46 pm
um texto de peito e muito peito.
gostei de ver a condição critica do personagem envolvido no drama. a questão levantada, ou questões, são em primer lugar não da intimidade do mundo feminino mas antes do mundo humano, a questão o poder: e e´preciso poder pra dizer sim, pra aceitar sem se sujeitar, e eu acredito que a personagem aceita mas mas não se sujetia, não se diminui, ela avalia e decide. tomar decisão esse é o cotidiano dos fortes.
gostei dop texto e da forma como é travada a questão do conteudo.
muito bom, dona marcela.
Março 10, 2009 at 11:39 pm
Que mulher cínica!!!!!!!!!!
Aplausos para a senhora!
Beijos
Março 10, 2009 at 11:41 pm
Ronaldo, muitoo bom vc ter gostado. =)
A., “mulher cínica”?!? Então eu tenho um fã, é isso? Adoro elogios !!!! hehhehehe =*
Abril 21, 2009 at 12:26 am
Parabéns! O teu texto é instigante, corajoso, provocante. Teu blog é uma delícia , sou frequentador assíduo, mas tenho sentido falta de atualizações.
Abril 21, 2009 at 1:23 am
Muito bom, tô num dilema existencial depoios do texto : o q fazer com todos os conceitos feministas q eu carrego com tanto afinco?
rsrsrrsrsrs
Amiga, tô sabendo que você anda publicando textos . Favor não esquecer do blog !!!!!
humpf
OBS: Como assim fazendo apologia a ex? Propaganda pura! rsrs Só vc!
Abril 21, 2009 at 1:28 am
Juli,
O q fazer com tua bagagem feminista? Usa qdo for conveniente, oras! rsrrsrs
Esqueci do blog não, gosto muito disso aqui…
OBS: O texto configurou propaganda foi? Então é melhor eu tomar cuidado, devo acrescentar p não virar propaganda enganosa q “O Ministério da Saúde adverte: o produto deve vir com a plaquinha de cuidado, efeito avassalador!” hehhe
=D