“Até aqui tratava-se de saber se a vida deveria ter um sentido para ser vivida. A partir daqui, pelo contrário, impõe-se nos que ela será vivida até melhor por não ter sentido [...] viver é fazer viver o absurdo” afirma A. Camus em O Mito de Sísifo. Em suma, não me analisem discursivamente, abdiquei da coerência.
Após longo hiato criativo, aqui estou eu. Não é que eu tenha esquecido o blog, até me ocupei muito dele: apaguei vários posts e comentários, cogitei deletá-lo, mudar minha foto, o estilo, o layout. Não que me tenha acontecido algo grandioso, mas preciso de movimento, se eu fosse estável, previsível, não seria Marcela Isis.
Quando comecei a escrever e elogiaram meu “blog intimista”, foi um insulto. Hoje não apenas reconheço o adjetivo como me orgulho dele: todo autor se insere no texto, mas graças ao tom intimista, posso fazê-lo sem pudor…
É desrespeitoso um blogger apagar comentários, desculpem, prometo não fazer novamente (o problema é que não costumo cumprir minhas promessas). Fiz porque eu precisava apagar (literal e metaforicamente), queria papel em branco, adoro recomeçar.
A vida às vezes nos convoca à desconstrução, ou melhor, reinvenção, daí trocamos a máscara. É provável que, numa dessas rupturas, a pessoa se ache (ou se perca). Por vezes se busca autoconhecimento, às vezes se foge exatamente disso, não é à toa que O Lobo da Estepe de Hermann Hesse “[...] suspeita e teme a possibilidade de um encontro consigo mesmo, e está cônscio da existência daquele espelho no qual tem uma necessidade tão amarga de olhar-se e no qual teme mortalmente vê-se refletido”.
As pessoas mudam, numa perspectiva humanista, para Parmênides nada muda porque a essência permanece. Já Heráclito afirmava que tudo muda daí a impossibilidade de banhar-se mais de uma vez na água do mesmo rio. O grande paradoxo é que ambos estão corretos: se tudo muda, se a mudança é constante, previsível, o que há de novo nisso? Nada muda.
Chega de mudanças, o blog e o layout permanecem, só para fazer diferente , vou deixar tudo igual.
Junho 20, 2009 at 1:20 am
Mais um belo texto intimista heheh Fico feliz que você tenha continuado, quer dizer, que o blog tenha continuado.
Abraço de teu fã.
Junho 20, 2009 at 1:25 am
Obrigada, tbm estou feliz (embora eu não veja nenhum sentido rsrrsr).
Abraço!!
=)